A educação frente à segregação racial

A educação frente à segregação racial

No nosso dia a dia enfrentamos muitos problemas no que diz respeito à educação, não é mesmo? Seja por falta de estímulo, exigência no ensino, problemas financeiros… diversos fatores nos fazem desmotivar e acreditar que não somos capazes de persistir e ir em frente. Uma pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, revela que apenas metade dos jovens com idade entre 15 anos e 17 anos está matriculada no ensino médio, mostrando ainda que, entre 1999 e 2011, a taxa de evasão nesta faixa mais que dobrou, saltando de 7,2% para 16,2%.

Já parou para pensar em quantos e quantas já tiveram negado o direito de ir a determinada escola, provavelmente não porque lhes faltou vontade ou recurso, mas porque apresentava uma cor não compatível com aquele sistema de ensino? Isso mesmo, o fato de alguém ser negro o impedia de ir a determinada escola, pois esta era destinada para brancos. Se houvesse uma escola para brancos perto de suas casas e uma para negros mais distantes, teriam que ir a mais distante, mas essa segregação não se dava apenas na educação, o impediam de comer em restaurantes de brancos, se sentar nos locais deles, muito menos usar o mesmo banheiro público.

Nascida em 8 de setembro de 1954, Ruby Bridges não foi a primeira a lutar por seus direitos, mas foi a primeira criança afro-americana a integrar uma escola primária branca do sul em Nova Orleans nos Estados Unidos, sendo escoltada por sua mãe e por quatro policiais, pois durante o percurso recebia xingamentos de pais de alunos brancos que não aceitavam que ela estudasse na mesma escola que seus filhos e muitas vezes a tratava com ameaças.

Antes de entrar na escola William Frantz, quando estava no jardim de infância, Ruby era uma entre muitas estudantes afro-americanas em Nova Orleans que foi escolhida para fazer um teste, o qual determinava se ela poderia ou não frequentar uma escola branca, teste este que foi feito em um nível bem alto para que as escolas de Nova Orleans pudessem ficar segregadas por mais tempo, ela e mais seis estudantes afro-americanos conseguiram ser chamados.

Depois de tentar todas as táticas de paralisação, o Legislativo acabou tendo que ceder, e todas as escolas designadas seriam integradas, fornecendo para as crianças marechais federais para protegê-las. Somente uma professora concordou em ensinar Ruby, apesar de todas as ameaças e insultos, a pequena persistiu e continuou, aos poucos tudo foi se normalizando e acabou conseguindo concluir a escola primária, se formando na Escola Francis T. Nicholls High School também na mesma cidade.

Ruby tem sido lembrada até hoje como exemplo de coragem, o próprio marechal federal Charles Burks, um de seus acompanhantes, comentou com certo orgulho que ela nunca chorou ou choramingou, dizendo: “Ela simplesmente marchou como um soldado“. Sendo fonte de inspiração para Norman Rockwell criar a pintura “O problema que todos nós devemos viver”, que adornou a capa da revista Look em 1964.

Ruby se mostrou exemplo abrindo caminhos para a continuação pela busca dos direitos de muitos cidadãos e estudantes que hoje são profissionais e fazem do nosso país e do mundo um lugar melhor. Quanto a contribuição também para educação e para ciência, temos como exemplo no decorrer dos anos inúmeros cientistas negros que foram muito importantes, contribuindo com inúmeras invenções. Estes são poucos dentre muitos que talvez até conheçamos suas invenções, mas desconhecemos o cientista. As pessoas que contribuíram na invenção da colher de sorvete, da tábua de passar roupa, da caneta, da lanterna, todos são negros.

Conheceremos a seguir três cientistas negros, um deles brasileiro:

Filho de escravos, George Washington Carver nasceu numa fazenda no Missouri ao fim da Guerra Civil Americana, um de seus proprietários o ensinou a ler e escrever pois as escolas locais não aceitavam estudantes negros. Tomando gosto pelos estudos construiu uma reputação como um brilhante professor e cientista, com talento extraordinário para explorar e inovar o campo da agricultura. Destacando-se especialmente na área da botânica, proporcionou muito para famílias de agricultores criando várias invenções para tornar as atividades de campo menos pesadas e mais lucrativas. Na maioria das vezes ele optava por escolher dividir suas ideias de graça.

A Dra. Mae C. Jemison é conhecida por ser a primeira mulher negra a viajar no espaço, no dia 12 de setembro de 1992. Sua história de vida começa em Decatur, Alabama, onde nasceu. Criada em Chicago, estudou em escola pública e formou o ensino médio aos 16, entrando em seguida na Universidade de Stanford, em Califórnia, concluiu duas graduações: uma como bacharel em Engenharia Química e a outra como bacharel em estudos africanos e afroamericanos, frequentou também a Universidade Cornell, onde formou-se em medicina, o que a impulsionou a ir para a África Ocidental trabalhar como médica e engenheira. Sempre teve o sonho de ir ao espaço e contra todos que a diziam que ela não conseguiria ser uma astronauta por ser mulher, ela foi aceita pela NASA e após cinco anos de treino foi ao espaço e conduziu experimentos como médica.

Milton Santos teve uma carreira extensa, que começou na Faculdade Católica de Filosofia na Bahia. Tendo feito doutorado na França e viajado pela Europa e pela África, publicou em 1960 um dos seus artigos mais famosos, o estudo “Mariana em Preto e Branco”. Foi um dos fundadores do Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais da Universidade da Bahia, um ícone dos estudos da área. No período final de sua vida, em 1994, recebeu o Prêmio Vautrim Lud, considerado “o Nobel da Geografia”. Foi agraciado com inúmeras honrarias, títulos e medalhas e morreu aos 75 anos.